quinta-feira, 29 de julho de 2021

PRORROGADAS AS INSCRIÇÕES DO FESTAL 2021


Prorrogadas as inscrições na 6ª edição do Festal até o dia 6 de agosto 2021.

 A extensão do prazo dará oportunidade para que mais grupos ou profissionais das artes cênicas de Alagoas inscrevam os seus trabalhos. Além disso, a REDE de artes cênicas de Alagoas está buscando outras formas de tornar mais fácil as inscrições, para descentralizar e democratizar cada vez mais o acesso à cultura popular.

 Quem pode participar das inscrições do Festal 2021?

Grupos ou profissionais de artes cênicas de Alagoas podem inscrever espetáculos nas seguintes linguagens: teatro (adulto, infanto-juvenil, rua), dança, circo, contação de histórias, performance, cultura popular (ex. coco de roda, capoeira, bumba-meu-boi, caboclinhas, cavalhada, fandango, guerreiros, pastoril, torés, quadrilhas juninas, folguedos carnavalescos, danças de origem indígena, afro-brasileira, quilombola, cigana etc); Todas as manifestações de artes cênicas do interior à capital de Alagoas serão bem-vindas.

 Como fazer a inscrição no Festal 2021?

        O Formulário de Inscrição deve ser enviado, devidamente preenchido, para o e-mail: festivaldeteatrodealagoas@gmail.com. Acesse o Edital e os formulários anexos  para inscrição dos espetáculos  a partir dos links abaixo:

Edital da 6ª edição do Festal 2021 RETIFICADO

Modelo de inscrição para a 6ª edição do Festal 2021 

Anexo 1 - Termo-de-Autorização-de-Uso-de-Imagem-e-Voz - Festal 2021 

Anexo 2 - Modelo Declarações de Diretos Autorais - Festal 2021 

 Anexo 3 - Modelo de Declaração de Direitos Autorais do Espetáculo - FESTAL 2021 - RETIFICADO

 O resultado dos 15 espetáculos selecionados será divulgado no dia 30 de agosto pelas mídias do Festal. As apresentações dos espetáculos selecionados ocorrerão nos finais de semana do mês de outubro de 2021. Cada grupo ou profissional selecionado irá receber um cachê de 1.500,00 (Um mil e quinhentos reais) referente a uma (01) apresentação e (01) bate-papo.

A 6ª Edição do Festal conta com o incentivo da Lei Aldir Blanc, por meio do Edital Eric Valdo - Secult-AL



domingo, 18 de julho de 2021

NOTA DE RETIFICAÇÂO DO EDITAL FESTAL 2021

Atenção, artistas e grupos de artes cênicas de Alagoas!

O edital do Festal 2021 foi retificado. No dia 18 de julho. Foi incluído o Anexo 3: formulário de direitos autorais do espetáculo. A mudança faz parte do compromisso ético e legal do Festival com a propriedade intelectual.  Os links para acesso dos anexos preenchidos devem ser disponibilizados no formulário de inscrição. A organização do evento solicita aos grupos e artistas que já se inscreveram, o reenvio do formulário de inscrição com o link do anexo 3.

As inscrições para a 6ª edição do Festal estão abertas até o dia 29 de julho de 2021. Podem se inscrever espetáculos de grupos e/ou artistas residentes/atuantes no estado de Alagoas nas seguintes linguagens: teatro (adulto, infanto-juvenil, rua), dança, circo, contação de histórias, cultura popular e performance. Serão selecionados 15 (quinze) espetáculos em arquivos/online para compor a programação do Festal realizada nos finais de semana de outubro. O Formulário de Inscrição deve ser enviado, devidamente preenchido, para o e-mail: festivaldeteatrodealagoas@gmail.com

O Festival de Artes Cênicas de Alagoas é um processo colaborativo em diálogo com artistas e grupos do estado. Justamente por prezar pelo diálogo, transparência e compromisso ético, o Grupo Gestor do Festal viu a necessidade de reformular o edital. O Grupo Gestor do Festal pede sinceras desculpas pelo transtorno.

O FESTAL, em sua 6ª edição, é uma iniciativa da REDE DE ARTES CÊNICAS DE ALAGOAS. Esta edição foi contemplada com o Prêmio Eric Valdo (Secult-AL), por meio da Lei Aldir Blanc.

 

Acesse o Edital e os formulários anexos para inscrição dos espetáculos a partir dos links abaixo:

 Edital da 6ª edição do Festal 2021 (Retificado)

 Formulário de inscrição para a 6ª edição do Festal 2021 (Retificado))

 Anexo 1 - Termo-de-Autorização-de-Uso-de-Imagem-e-Voz - Festal 2021 

 Anexo 2 - Modelo de Declaração de Diretos Autorais da Trilha Sonora- Festal 2021 

 Anexo 3 – Modelo de Declaração de Direitos Autorais do Espetáculo – Festal 2021 (Retificado)




 

 

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Passo a passo para fazer a Inscrição no Festal 2021

 



1.      Baixar o Edital do Festal 2021 - RETIFICADO e os documentos para inscrição no blog:

https://festivaldeteatrodealagoas.blogspot.com

2.      Preencher Anexo 1 – Termo de Autorização de Uso de Imagem e Voz - FESTAL 2021

3.      Preencher Anexo 2 - Modelo de Declaração de Diretos Autorais - FESTAL 2021

4.   Preencher Anexo 3 - Modelo de Declaração de Direitos Autorais do Espetáculo - FESTAL 2021

5.      Escolher 3 (três) imagens do espetáculo (jpg, jpeg ou png em resolução de 3Mb)

6.      Link do espetáculo/arquivo em vídeo na íntegra;

7.      Texto do espetáculo (em PDF), para fins de acessibilidade, se houver;

8.      Explicar a condição indispensável para a realização do espetáculo, caso haja;

9.      Preencher o formulário de inscrição: colocar os links dos anexos (itens 2, 3, 4, 5, 6 e 7)

10.     Enviar o formulário de inscrição, até o dia 29 de julho de 2021, listado acima para o e-mail: 

          festivaldeteatrodealagoas@gmail.com

Pronto!  Agora é só aguardar sair o resultado no dia 30 de agosto de 2021

Observação: os arquivos solicitados como anexos (itens 2, 3, 4, 5, 6 e 7), devem ser disponibilizados em link de plataforma virtual (Google Drive, OneDrive  ou similares); deixar os documentos compartilhados. No Formulário de inscrição há um espaço para colocar os links.

Podem se inscrever espetáculos de grupos e/ou artistas residentes/atuantes no estado de Alagoas nas seguintes linguagens: teatro (adulto, infanto-juvenil, rua), dança, circo, contação de histórias, cultura popular e performance.


sexta-feira, 9 de julho de 2021

Edital da 6ª edição do Festival de Artes Cênicas de Alagoas - Festal 2021

 

#Pracegover um cartaz quadrado dividido em fundo laranja e amarelo. No fundo laranja traz o texto: INSCRIÇÕES ABERTAS. Nove a vinte e nove de julho de dois mil e vinte um. Festal sexta edição: edital 2021. No fundo amarelo, há uma mandala compostas por vários triângulos, no centro da mandala há a logo circular do Festal.


Atenção, grupos e artistas das Artes Cênicas de Alagoas! 

Saiu o Edital da 6ª edição do Festal!!! 

Serão selecionados 15 (quinze) espetáculos em arquivos/online para compor a programação do Festal realizada nos finais de semana de outubro. Este ano toda a programação será Virtual.

As inscrições estarão abertas de 09 a 29 de julho de 2021. #GiraFestal

O FESTAL, em sua 6ª edição, é uma iniciativa da REDE DE ARTES CÊNICAS DE ALAGOAS. Esta edição foi contemplada com o Prêmio Eric Valdo (Secult-AL), por meio da Lei Aldir Blanc


Acesse o Edital e os formulários anexos  para inscrição dos espetáculos  a partir dos links abaixo:








sexta-feira, 2 de julho de 2021

 

LINHA DO TEMPO DO FESTAL


 
       2011
  • A Cia Teatro da Meia-Noite, para comemorar 10 anos de aniversário, produziu o I Festival de Teatro da Meia-Noite com apresentações dos espetáculos: Cinco para o Cadafalso (2002), Insônia (2007) e Meu Pé de Fulô (2008), Marina, uma história de Cordel (2011).

  

        2016

  • A Cia Teatro da Meia-Noite fez 15 anos de resistência. 
  • A ideia da 2ª edição do Festival de Teatro de Alagoas é gestada pela Cia do Teatro da Meia-Noite e abraçada por artistas e grupos alagoanos.
  • A 2ª edição do Festal contou com a apresentação voluntária de 16 espetáculos de grupos e artistas alagoanos.
  • Encerramento da 2ª edição do Festal com o movimento Identidade Alagoana, no estacionamento do Complexo Teatro Deodoro.

         2017

  • O Festal, com a organização da Cia do Chapéu, ganha o Prêmio Algás Social       A programação artística da 3ª edição passa a dispor de interpretes de Libras para pessoas surdas e pessoas com deficiência auditiva
  • Abertura da 3ª edição do Festal com a apresentação da cantora May Honorato.
  • Abertura da exposição Caminhos do Festal – “Re-existências Cênicas”, com fotografias de Nyrium e Xanda  produzidas na edição do Festal de 2016, sob a curadoria de Bruno Alves.
  • A 3ª edição do Festal ofereceu ao público 19 espetáculos e 16 oficinas de artes cênicas, sendo 10 espetáculos e 10 oficinas apresentados em escolas públicas. 



        2018

  •  Festal passa a ser organizado pela Rede de Artes Cênicas de Alagoas (REDE), com representações de grupos e artistas de artes cênica do Estado.
  •  O Festal passa a ser chamado de Festival de Artes Cênicas de Alagoas, na intenção de abarcar a diversidade de linguagens cênicas produzidas no Estado.
  •  A 4ª edição do Festal foi contemplada com o Prêmio Algás Social 2017-2018.     
  • O Festal, seleciona 15 espetáculos alagoanos de palhaçaria, contação de histórias, dança, performance e teatro, por meio de edital, para compor a programação gratuita, no Centro de Maceió.
  • Abertura da Exposição "Fios da Memória" - Museu Théo Brandão.
  • A 4ª edição Festal culminou com 20 espetáculos de artes cênicas; 5 mesas de Bate-Papo sobre os Fios da Memória: Dança, Performance, Circo, Teatro e Etnocena; 11 espetáculos musicais, uma oficina interna de produção e a parceria da Feirinha Colabora, tudo no entorno da Praça Sinimbú, centro de Maceió.   Todas as atrações foram gratuitas.


        2019

  • A 5ª edição do Festal foi contemplada com o Prêmio Algás Social 2018-2019.
  • O Festal aconteceu em comunidades de Maceió: nas ruas e equipamentos públicos da Cidade Sorriso, Garça Torta, Vergel do Lago, Bom Parto e no Centro da capital, com todas as atrações gratuitas.
  •  Além de dispor de interpretes de Libras desde as edições anteriores, a 5ª edição do Festal, contou com recurso de audiodescrição.
  •  A Abertura da 5ª edição do Festal deu-se na Cidade Sorriso (Benedito Bentes II).
  • A programação do Festal levou às ruas, praças, escolas e palcos alternativos em torno de 10 espetáculos cênicos (edital), 5 oficinas (edital), 4 oficinas voluntárias, 37 atrações voluntárias e 1 Feirinha Criativa.


        2020 

  • Não aconteceu o Festal, por conta da Pandemia da Covid-19.

 

   
    2021 
  •  O Projeto da 6ª edição do Festal é contemplado pelo Prêmio Eric Valdo, Edital da Secult/AL realizado com recurso da Lei Federal nº 14.017/2020, Lei Aldir Blanc.
  • Em razão dos protocolos sanitários para conter o contágio da Covid-19, a Rede de Artes Cênicas de Alagoas decide por manter a programação  da 6ª edição do Festal totalmente virtual.
  • Lançamento do Edital da 6ª edição do Festal previsto para o dia 9 de julho.





segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Venha ser Festal no Vergel!!!

Infelizmente não foi possível realizar nosso sarau na comunidade do Vergel. A falta de segurança, o medo da violência e a sensação de abandono por parte do poder público nos fizeram recuar.

Ontem, dia 6/10, seria a 19ª edição do projeto Lagoa Aberta e o Festal faria parte desta comemoração. Porém, em virtude de algumas tensões no local, toda a equipe de produção, impossibilitada de garantir segurança ao público, decidiu por cancelar a programação. A comunidade encontrava-se recolhida. Não seria prudente ignorar este sinal.

Voltamos para casa tristes e desanimados com mais uma derrota da arte e da cultura em nosso País, em nosso Estado. Os tempos não estão fáceis. Entretanto, continuamos certos de que não devemos soltar nossas mãos. Juntos ainda é a melhor maneira de continuar, de resistir e de criar.

O Vergel é um bairro estigmatizado pela sombra da violência, do descaso e da sujeira. Em contextos como esse, desprivilegiado em todos os sentidos, a criatividade e a inventividade são armas poderosas e indispensáveis para suportar as pressões do cotidiano. O Quintal Cultural é um retrato exemplar deste fato. Um espaço mobilizador de ideias, de criações artísticas, de debates políticos e de ludicidade. O Quintal Cultural abre uma fissura na visão preconceituosa sobre a comunidade em que está inserido. Firmar parceria com este centro cultural foi uma honra para nós. Esperamos, ansiosos, por outras oportunidades como esta.

Também deixamos nosso muito obrigado à equipe do Instituto Servir, que nos concedeu espaço para a oficina Me Ajuda a Olhar, sobre fotografia para espetáculos, ministrada pelo diretor, dramaturgo, ator e fotógrafo Jadir Pereira, e que também recebeu o espetáculo Planeta Zulpeta, da Cia. Fenomenal. Gratidão!

Ah, e embora não tenha sido possível realizar o sarau, nosso encontro com/no Vergel ainda não se encerrou. Amanhã, dia 8/10, na Escola Estadual Professora Aurelina Palmeira de Melo, situada em frente à Praça Padre Cícero, será apresentado, às 19h30, o espetáculo A Farsa do Advogado Pathelin, uma produção do Instituto de Preparação para a Cena - IPC. A entrada é gratuita e contamos com a sua presença.


Venha ser Festal no Vergel!!!

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Bom te ver, Garça Torta!

E o Festal passou como a brisa tropical do mar de Garça Torta! Durante a última semana, a comunidade pôde conferir oficinas, espetáculos e atrações culturais e musicais nas ruas e nos corredores do espaço Garça 165 e da Associação de Moradores. Foi uma verdadeira festa para as artes cênicas e para os habitantes de um dos bairros mais idílicos de Maceió!

Toni Edson comanda oficina de contação de histórias. Foto: Amanda Moa

A semana na Garça começou com Toni Edson reunindo a criançada na oficina Lendas Curtas para Contar e Cantar. Na sexta-feira, 27, Myrna Maracajá ministrou oficina de desenho experimental e o pessoal do Resgate Crew levou a dança urbana ao Largo São Pedro, com o espetáculo Singularidade. O sábado trouxe mais oficinas: Synara Silva e as aquarelas com borra de café; Nessa Germano com os filtros dos sonhos; e Melina Vasconcelos conscientizando sobre a destinação correta do lixo que produzimos e que polui nossas belas praias.

Grupo Borda Azul se apresenta com a Percussão Batidas da Vida. Foto: Amanda Moa

Para o domingo, o tão esperado sarau trouxe ao Largo São Pedro o teatro do Coletivo Heteaçã, com Os Filhos do Céu e os Corações de Tambor, seguido da roda de capoeira do Grupo Angola Palmares. A emoção foi garantida pelas senhoras do Grupo Borda Azul, acompanhadas da percussão Batidas da Vida.

A lembrança que levamos desta tão breve, mas tão inesquecível semana, vem do carinho da comunidade, que abraçou nosso Festival de Artes Cênicas de forma crescente. Desde os curiosos, gente que nunca tinha visto um espetáculo de dança ou de teatro no meio da rua, àqueles que prestigiavam e aplaudiam nossos oficineiros e nossos grupos culturais, passando pela energia dos jovens que foram à  praça para curtir o som do pessoal da Um Quarto Pensante, que encerrou a programação do Festal na Garça, no dia 29 de setembro.

Coletivo Heteaçã com Os Filhos do Céu e os Corações de Tambor. Foto: Amanda Moa

Foi mágico, foi revigorante, foi estimulante. Passou na brisa, com o barulho do mar e o vaivém dos coqueiros, tranquilo, quente e acolhedor... mas ficou em nossos corações. Obrigado, gente boa de Garça Torta! E até logo!


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

A cidade sorriu conosco... Seguimos festejando!

A cada ano o Festal tem adotado um formato diferente, buscado compor uma programação que promova certa dinamicidade de público, artistas e instituições. Nesta edição de 2019 resolvemos investir numa estrutura caleidoscópica, atuando em 5 comunidades distintas, porém interligadas pela condição de ambientes periféricos. Contudo, nossa abordagem foi a de compreender que tais comunidades também são o centro de quem vive por ali. A despeito de quaisquer carências e fragilidades sociais e econômicas existentes nessas comunidades, todas elas são produtoras de cultura, possuem vida própria e concentram muita força criativa.

Turma do Coletivo Afro Dendê, equipe de produção e a criançada da Cidade Sorriso no sarau de abertura do Festal 2019. Foto: Xanda Souza.

Foi com base nessa percepção que o Festal desse ano teve início no último dia 21/09, na Cidade Sorriso, condomínio residencial do Benedito Bentes II. E quem esteve por lá pôde comprovar nossas suspeitas. Além da oficina de malabares ministrada pelo Henrique de Souza, contamos com um sarau recheado de dança, maracatu, contação de histórias, teatro, performance, hip hop, coco de roda e capoeira. Sem falar que ainda tivemos espetáculos acessíveis para pessoas surdas e cegas.

Nos despedimos da Cidade Sorriso, com o perdão do trocadilho, sorrindo à tôa. Felizes por começarmos tão bem e instigados com o que ainda está por vir. Nosso muito obrigado a todas e todas que possibilitaram esse encontro, especialmente o pessoal do Coletivo Afro Dendê que nos abriu suas portas para nossa programação. Gratidão sempre!!!



E como estamos ainda no começo. Quem não teve oportunidade de chegar junto até o momento, nesse próximo fim de semana já tem uma nova chance de participar dessa festa. Dessa vez, na comunidade da Garça Torta.

Desde o último dia 24/09, o ator e contador de histórias Toni Edson está conduzindo uma oficina de contação, concluindo esse momento no domingo dia 29. E nos dia 27 e 28, desenvolve-se um outro ciclo de oficinas. Desenho experimental, filtro dos sonhos, aquarela em borra de café e consciência ambiental são os temas dessas ações. Quem tiver interesse em participar, acesse nosso perfil no Instagram (@festal2019), para saber mais detalhes e se inscreva.

Ainda nesse fim de semana, no dia 29/09, será a vez do sarau da Garça. Uma tarde inteira de atrações composta por contações de histórias, música, capoeira e teatro. A programação desse dia inicia às 14h e adentra a noite, animando o Largo São Pedro. Venha festejar conosco!!!

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Escolha seu palco que o Festal está chegando!




Segura a ansiedade que está quase na hora! Neste sábado, dia 21 de setembro, tem início a 5º edição do Festival de Artes Cênicas de Alagoas, na Cidade Sorriso, localizada no Benedito Bentes 2. O Festal celebra a produção e os artistas caetés, da capital e do interior, com uma programação gratuita recheada de teatro, dança, circo, performance e contação de histórias. A grande diferença neste ano, com relação às edições anteriores, é o foco na população mais carente de Maceió: ao longo de cinco semanas, cinco comunidades diferentes receberão a programação, com espetáculos e oficinas e ainda uma vasta programação paralela de apresentações, saraus e atrações musicais. Para aquecer e dar partida à contagem regressiva, listamos cinco bons motivos para não perder, de jeito nenhum, estas duas semanas da maior celebração das artes cênicas alagoanas.

In Progress, do Coletivo Mambembe sobe ao palco no dia 21. Foto: Gabi Coelho

1. APOIO AOS ARTISTAS E À PRODUÇÃO LOCAL
O edital do 5º Festal contemplou, este ano, 10 espetáculos que fazem parte da programação oficial. Ou seja: nossos artistas produzem bastante – e produzem bem! E a oportunidade é perfeita para conferir nossa arte e cultura, sem pagar nada, nas ruas e equipamentos públicos das comunidades espalhadas pela Grande Maceió. Em setembro, e já na estreia, no dia 21, teremos contação de histórias e teatro na Avenida Sorriso, no Benedito Bentes: Histórias do Lar... de Lá, de Toni Edson, às 16h40, e In Progress, do Coletivo Mambembe, às 19h20. Na semana seguinte, no dia 27/9, teremos o espetáculo de dança Singularidade, do Resgate Crew, às 16h, e o teatro do Grupo Heteaçã, com Os Filhos do Céu e os Corações de Tambor, às 15h do dia 29/9 – ambos no Largo do São Pedro, na Garça Torta.

Henrique Nagope vai ministrar oficina de malabares na Cidade Sorriso. Foto: Pâmela Guimarães

2. CONHECER (MELHOR) NOSSA CIDADE
As duas primeiras comunidades a receber o Festal, em setembro, são a Cidade Sorriso, no Benedito Bentes 2, e Garça Torta. Não há maceioense que não tenha ouvido falar de nosso maior bairro e de um de nossos balneários mais exuberantes. Mas quantos, de fato, já andaram pelas ruas do Biu ou da Garça e tiveram contato com sua gente e suas realidades, que podem ser bem distintas do que sabemos e entendemos ser Maceió? Prestigiar nosso palco aberto é também conhecer e aprender a respeitar nossa população, e, pensando nisso, o Festal oferece oficinas lúdicas aos moradores de cada localidade-sede (são 5 no total). A Cidade Sorriso terá Malabares com Bolinhas – Confecção e Técnicas Básicas de Jogo, ministrada por Henrique de Souza, nos dias 21, 22, 28 e 29/9, na sede do Coletivo Afro Dendê; já Garça Torta terá Lendas Curtas para Contar e Cantar, de Toni Edson, de 24 a 27/9, no Bar do Titio.

Myrna Maracajá participará do 5º Festal como voluntária. Foto: Acervo da artista

3. PROGRAMAÇÃO EXTRAOFICIAL
O Festal sempre foi um espaço de crescimento e intercâmbio entre os artistas e grupos alagoanos. Embora o edital tenha selecionado um número reduzido de espetáculos e oficinas, que representam apenas uma parcela da grandeza e da força do que é produzido em Alagoas, várias outras ações também estarão presentes no festival, como convidados e/ou voluntários. A Garça Torta, por exemplo, receberá uma série de oficinas, abertas ao público e com vagas limitadas, nos dias 27 e 28/9. Tem Myrna Maracajá (Desenho Experimental), dia 27, na Garça 165; Synara da Silva (Aquarela com Borra de Café) e Nessa Germano (Filtro dos Sonhos), ambas no dia 28, na Associação Comunitária; e Melina Vasconcelos (Lixo na Garça: Consequências, Desafios e Soluções), no dia 28, na Garça 165.

Show da Banda Artehfato durante o Festal 2018. Foto: Xanda Souza

4. MÚSICA E CULTURA
Além das artes cênicas e oficinas da programação oficial e extraoficial, o Festal também é palco para grupos culturais, folclóricos e bandas musicais nos saraus. O de sábado, 21, na Cidade Sorriso, marca a abertura oficial do festival, na Avenida Sorriso I, no Benedito Bentes, com apresentações do Grupo Senzala Capoeira (16h10), Companhia Hip Hop (17h40), Coco de Roda Barreiros das Alagoas (18h), Coletivo Afro OGBON (18h30), Coletivo Afro Caeté (20h30) e encerramento com a Banda Afro Dendê (21h10). Na Garça Torta, no Largo do São Pedro, no dia 28, o sarau fecha a programação da semana na comunidade com o Grupo de Capoeira Angola Palmares (16h), Grupo Borda Azul + Grupo Percussivo Batidas da Vida (17h) e show da Banda Um Quarto Pensante (18h30). Vale conferir a festança de perto e ficar até o fim!

Comissão organizadora no encerramento do Festal 2018. Foto: Xanda Souza

5. SOCIALIZAR E TROCAR IDEIAS
Como em todo bom festival, o fator humano é superimportante. Desde o pessoal que vive e pensa as artes cênicas, até os aspirantes a atores, diretores, dramaturgos, dançarinos e músicos, passando, é claro, pelos próprios moradores das comunidades, o Festal conta com o desejo de não apenas dar espaço à produção alagoana, mas também de pavimentar o caminho para que novas ideias circulem, que o pensamento comum seja compartilhado e que o interesse nas artes cênicas cresça e floresça. Quem sabe em 2019 não seja plantada a semente para o espetáculo que fará parte da programação em 2020? Ou que surja, nas ruas da Cidade Sorriso ou da Garça Torta, aquele artista que fará a grande diferença num futuro próximo? Pode até dar namoro, casamento e filhos... tudo é possível!

Diante de todos esses motivos, é hora de preparar o corpo e a alma para nosso 5º Festal. Só lembrando que nestas duas últimas semanas de setembro o festival estará na Cidade Sorriso (Benedito Bentes 2), com a abertura oficial no dia 21 e a oficina de Malabares com Bolinhas rolando de 21 a 29/9; e na Garça Torta, de 24 a 29/9, no Largo do São Pedro. E em outubro ainda tem mais! Confira a programação completa aqui no blog, acompanhe as novidades no nosso Instagram (@festal2019) e salve as datas todas no calendário. Nos vemos Lá!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Espaços de troca

O Festal é um festival de artes cênicas, mas que busca não se limitar a um evento de apresentações simplesmente. Trata-se de um espaço onde novos laços entre artistas e comunidade são estabelecidos, onde a reflexão sobre o fazer artístico se faz sempre presente. A cada ano, elaboramos momentos de trocas de naturezas variadas, como oficinas, mesas redondas e grupos de trabalho.

Nessa edição 2019, cada comunidade que nos acolherá contará com uma oficina artística. Essas oficinas serão voltadas ao público de jovens e crianças dessas comunidades e servirão de ponto de encontro para criação conjunta e apontar a arte como uma experiência necessária em qualquer sociedade saudável.

Serão cinco oficinas de 15h cada, todas ministras por profissionais locais. Pessoas experientes e sensíveis, disponíveis para trocar seus conhecimentos e gerar potentes experiências criativas.

Na Cidade Sorriso, o ator, palhaço e pesquisador da linguagem circense Henrique de Souza ministrará uma oficina de malabares com bolinhas. Os alunos aprenderão a confeccionar seus próprios malabares e a manipulá-los. Execução e técnica estarão juntas para construir um momento de aprendizado e ludicidade. A oficina do Henrique acontecerá nos dias 21, 22, 28 e 29/09 sempre das 09h às 13h, na Sede do Coletivo Afro Dendê.
Henrique de Souza. Foto: Amanda Saory.

Já na Garça Torta, no período de 24 a 27/09, a contação de histórias guiará o encontro com os jovens desta comunidade. À frente dessa oficina teremos o ator, diretor e professor de teatro Toni Edson. Um experiente contador de histórias que vem colecionando uma série de trocas com vários grupos e artistas locais. Nessa oficina, o foco será dado às lendas, canções e ao próprio teatro. A oficina ocorrerá no Bar do Titio, das 09h às 12h.

Entrando em outubro, teremos na comunidade do Vergel do Lago a oficina "Me ajuda a olhar", voltada para o registro de espetáculos cênicos, e será conduzida pelo ator, diretor e professor Jadir Pereira. Com sua sensibilidade aguçada, Jadir conduzirá os encontros no sentido de sensibilizar o olhar dos jovens para o fazer artístico. Essa oficina ocorrerá entre os dias 01 e 05/10, das 14h às 17h, no Instituto Servir.

Toni Edson. Foto: Jany Santos.

No Bom Parto será a vez do breaking dance mobilizar a juventude. Jessé Batista, b-boy e intérprete criador, conduzirá os encontros mostrando técnicas e um pouco da história desse pedacinho da cultura hip hop. Saltos, giros, cambalhotas vão sacudir os corpos da turma e mostrar a força poética do corpo em movimento. As aulas serão realizadas no período de 10 a 13 de outubro, das 08h às 12h, no Quintal Cultural.

E, por fim, na última semana do Festal, a comunidade do Centro receberá a oficina "Tessituras da Cena", com o Coletivo Filé de Críticas. Entre 16 e 19 de outubro, os participantes construirão um espaço para pensar e exercitar o processo de produção de crítica de espetáculos cênicos. Essa oficina acontecerá na Escola Técnica de Artes da UFAL (em frente à Praça Sinimbu), das 19h às 22h, sendo das 14h às 17h no dia 19/10.

Esse é o Festal, gerando condições para o cenário cultural se desenvolver e possibilitando momentos de troca e produção de conhecimento em diferentes campos da arte. A nossa programação de setembro já está disponível em nossas redes sociais. Confira e apareça!! Já iniciamos nossa contagem regressiva!

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Falar, gritar, resistir e lutar

Geni – Não Recomendada, da Cia. Os Vers'artes. Foto: Washington da Anunciação

Geni – Não Recomendada pode ser descrito como um trabalho em constante transformação. O espetáculo performático da Cia. Os Vers'artes, que será exibido durante o 5º Festival de Artes Cênicas de Alagoas – Festal, no dia 19 de outubro, surgiu da vontade de David André e Saulo Porfírio em criar cenas inspiradas nas canções Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, e Não Recomendado, de Caio Prado. No curto espaço de tempo entre a primeira apresentação, durante a calourada do curso de Licenciatura em Teatro em 2018, ao “grande nascimento” do espetáculo, em agosto de 2019, muita coisa mudou em Geni, exceto a voz em forma de grito que dá às minorias, desconstruindo, no caminho, temas considerados tabus pela sociedade.

Em um bate papo com o autor e diretor David André sobre Geni, vieram à tona lembranças de uma arte ainda embrionária, mas desde sempre engajada, que foi ganhando novas camadas, colheu elogios, enfrentou dúvidas e críticas, colocou a nudez em cena como um grande ato libertador e que, em 2019, chega ao público como persistência e resistência em forma de arte. Acompanhe conosco essa trajetória!

CORPO CÊNICO
David André e Saulo Porfírio faziam parte de um projeto de extensão da Universidade Federal de Alagoas, chamado Corpo Cênico. Foi nesse contexto que uma ideia comum entre os dois, porém com bases distintas, deu início ao que viria a se tornar Geni – Não Recomendada. Para David, a inspiração vinha de Geni e o Zepelim, de Chico Buarque; para Saulo, de Não Recomendado, de Caio Prado. “Por que não? Vamos juntar essas duas e ver o que sai”, relembra David.

“Eu acho que essas duas músicas são muito semelhantes, têm um cunho político muito forte, então a gente montou cinco cenas para apresentar na Calourada 2018.1 do curso de Teatro – Licenciatura, da Ufal. Essa primeira apresentação traz apenas dois atores, um representa o físico e o outro representa o interior, e a gente trata sobre a questão do nascimento até a fase adulta. Esse personagem, ainda sem nome, luta contra a sua própria sexualidade. No meio de toda essa confusão, desse caos e resistência contra ele mesmo, ele acaba se tornando agressivo, machista, preconceituoso”.

CHOQUE DE REALIDADE
A repercussão do público a essa primeira versão foi bastante positiva, mas a realidade fora dos palcos acabou por colocar toda a euforia do momento em perspectiva. Na mesma tarde em que David e Saulo davam vida ao espetáculo, um jovem de apenas 19 anos perdia a sua. David cita o episódio como um momento de hesitação, mas que ao mesmo tempo gerou um impulso maior para tudo aquilo que Geni – Não Recomendada representava.

“À noite recebemos uma notícia triste de um rapaz chamado David, de 19 anos. Naquela mesma tarde, enquanto, em cena, eu gritava “joga pedra na Geni” e o Saulo gritava “não joga pedra na Geni”, esse menino era morto a pedradas, no Salvador Lyra, por ser homossexual. Isso me deu um medo muito grande de continuar com o espetáculo, nos palcos, nas ruas, em qualquer lugar, correndo o risco de que aconteça o mesmo com a gente. Então o Saulo falou ‘eu creio que nós temos que continuar, essa é nossa arma, para falar para quem tiver por perto sobre essas questões sociais mal resolvidas’”.

Apresentação de Geni durante o 4º Festal, em 2018. Foto: Jany Santos

EXPERIÊNCIAS INDIVIDUAIS
Após a apresentação na calourada, Geni – Não Recomendada foi convidada a participar como ação voluntária no 4º Festal, também em 2018. Mas, antes disso, já estava em discussão a ideia de expandir o espetáculo. Para isso, mais atores e atrizes entraram em cena, e o texto já não tratava apenas da homossexualidade, mas também discutia temas como a violência contra a mulher, a não-aceitação do corpo, a intolerância religiosa e o racismo.

“O texto partiu das experiências dentro do elenco. Compartilhávamos o cotidiano de cada um e começamos a fazer sketches para desenvolver as cenas. Às vezes era difícil terminar os sketches, pois entrávamos num estágio de choro, de se perguntar ‘que absurdo vivenciar isso. Tão perto e a gente, muitas vezes, não saber o que fazer’. O texto é meu, mas a adaptação é coletiva. A direção também foi minha, e o Saulo ajudou na direção de elenco”.

A apresentação a céu aberto, na Praça Sinimbu, teve, novamente, boa repercussão, mas também gerou as primeiras críticas. “Na época nós usávamos músicas de artistas famosos, como Johnny Hooker (Flutua), A Banda Mais Bonita da Cidade (Uma Atriz), além de Geni e Não Recomendado. A crítica apontou que o espetáculo ficava muito redundante, a gente fazia e as músicas diziam o que estávamos fazendo. Ou a música começava e a gente fazia o que a música estava dizendo. Então tratamos de deixar o espetáculo mais original. Tiramos as músicas, fizemos músicas autorais”, explica David.

GENIS ATUAIS
A questão envolvendo as músicas não autorais acompanhou o sentimento de David de que a obra precisava ser mais lapidada. Após o 4º Festal, Geni entrou num hiato, ao mesmo tempo em que Saulo Porfírio precisou de afastar para cuidar do próprio TCC.

“Eu comecei a fazer mais pesquisas: quem era Geni? Quem é Geni hoje na sociedade? Na música do Chico, ela é uma travesti que é malvista, julgada e apedrejada pela sociedade, e ela só passa a ser bem vista a partir do momento em que a sociedade precisa dela. Então comecei a pensar: quem são as Genis de hoje? E percebi que ela é não apenas a travesti, mas também a mulher, o negro, a negra, a pessoa que não é padrão, o pobre. Geni, em geral, são as minorias. Fiquei com essa inquietação: então preciso falar de mais coisas, preciso lapidar mais o espetáculo, preciso falar sobre as minorias e também sobre a diversidade”.

Após o período de pausa, Geni – Não Recomendada estreou, em 30 de agosto de 2019, no Arte Pajuçara, contemplada pelo edital Pauta Aberta da Prefeitura de Maceió. Para David, a data marca o “grande nascimento” do espetáculo. O que, inicialmente, eram cinco cenas, agora já somavam oito. Elementos foram acrescentados, outros eliminados. A obra ficou mais densa e chegava com uma classificação indicativa de 18 anos.

O "batismo" em cena. Foto: Washington da Anunciação

BICHO DE SETE CABEÇAS
A classificação 18+ refletia o impacto provocado por Geni – Não Recomendada. Não apenas pela força de seu conteúdo, mas também por incluir a nudez em cena. Sobre esse aspecto, David revela a preocupação em não permitir que o interesse do público ficasse restrito apenas ao corpo nu, quando este deveria ser tratado com mais naturalidade.

“Na segunda cena do espetáculo, uma das atrizes tira toda a roupa. É a cena do batismo, ela tira essa roupa como quem tira um fardo, um peso. É uma cena um pouco macabra, mas a gente quis colocar o nu para gerar esse incômodo e para dizer que o corpo é apenas um corpo, que não há nada demais ali, que não é um bicho de sete cabeças. Uma vez ouvi alguém dizer ‘ah, mas você precisa ter um propósito para usar o nu em cena’. Mas qual propósito seria esse? Do tipo, se eu precisar trocar de roupa em cena, eu posso ficar nu? Se precisar tomar um banho em cena, eu posso ficar nu? Esse tipo de pergunta surge porque o nu ainda é um tabu. E o nu é uma coisa muito natural”.

Com o tema em debate durante reuniões de elenco, o grupo acabou optando por divulgar o espetáculo sem “revelar o nu”. Questionamentos acerca da classificação indicativa eram direcionados apenas às questões de violência presentes na peça. No final das contas, a estratégia acabou surtindo efeito, como conta David: “O nu acabou sendo uma surpresa. Recebi um feedback muito positivo. ‘Ah, eu tenho problemas com o nu, em cena ou em qualquer lugar, e desta vez foi tão sutil, tão suave que não me incomodou ver uma pessoa nua no palco’. Era exatamente isso: mostrar ao público ou a qualquer outra pessoa que não há problema no corpo do outro. O nu ainda inda é muito erotizado. E não precisa ser sempre assim”.

David André durante a apresentação no Arte Pajuçara. Foto: Washington da Anunciação

EXPECTATIVAS PARA O 5º FESTAL
Um grande ciclo está prestes a se completar para Os Vers'artes e para Geni – Não Recomendada. No dia 19 de outubro, o espetáculo, que começou com apenas dois atores numa calourada, retorna à Praça Sinimbu como parte da programação oficial do 5º Festal no Centro de Maceió. A apresentação acontecerá às 17h, na Sala 11 – Camerata, no mesmo Espaço Cultural que também receberá trabalhos de estudantes de Artes (Licenciatura e Escola Técnica) da Ufal. Para David, o estado de espírito não poderia ser outro que não o de alegria, mas sem nunca esquecer da responsabilidade. 

“Voltamos ao Festal, bastante felizes por tudo isso! Falamos sobre diversidade, sobre minorias, e pedimos respeito! Tratamos dessas questões mal resolvidas como única voz que temos para gritar ‘Não joga pedra na Geni’. Nossa voz é a arte, temos essa arma e estamos usando para poder falar, gritar, resistir e lutar”.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Solo, pero no mucho


Cena do espetáculo "Sentido Contrário", de Avaristo Martins. Foto: Anobelino Martins

Fazer só, pensar só, viver só. Quanto há de autoridade na solidão? É evidente que o nome do autor ou autora de uma obra inspira os créditos da assinatura da obra, mas uma obra jamais é sozinha, pois o que seria do arquiteto sem os pedreiros? Os grandes mestres renascentistas que não tocavam em suas estátuas? Dos diretores de cinema, coitados, sem toda uma equipe de outros artistas e técnicos? Escritores sem os outros escritores? O que seria de nós sem os outros? A ideia que o romantismo tirou de suas revoluções políticas e do liberalismo emergente no século XVII até hoje ressoam o seu delírio das estrelas.

Aqueles e aquelas que se reclusam ao minucioso exame de seus conhecimentos, técnicas e sentimentos têm uma marca misteriosa, similar à aura mágica das pinturas pré-industriais, que lhes afasta do convívio e lhes impõe certos pedestais criados por nossos gêneros sociais, entretanto esses ermitões de herméticas personalidades retornam com suas obras ao meio social e arrastam caravanas caras a Hollywood e às perenes formas de culto a personalidade da nossa sociedade. Entretanto, a solidão criativa, o solo não deixa de ser uma tarefa árdua.

Enfrentar a árdua tarefa de fazer arte só ou de encarar só estar no palco por exemplo, muitas vezes representa mais uma busca ideal ou a necessidade de se fazer arte do que ouvir a cantilenas marinhas. Muitas vezes representa a trajetória heroica, portanto um tanto louvável também, de se encarar as dificuldades e os medos próprios e lançar o discurso de sua época através da própria carne. Dar cor e traço às formas que se capta do mundo a partir de seus olhos sozinhos é impossível, porém decidir só é para aqueles que tem coragem.
Cena do espetáculo "Sentido Contrário", de Avaristo Martins. Foto: Anobelino Martins

No Festal deste ano um destes bravos artistas, Avaristo Martins, apresentará sua obra “Sentido Contrário” no dia 19 de Outubro na Sala Preta da Escola Técnica de Artes. Avaristo escreveu o texto “Sentido Contrário” em 2014, quando ainda era aluno na ETA. Segundo ele “Não é uma história sobre a minha vida, mas como é algo que vivemos no nosso dia a dia, temos essa identificação com o texto. A história de Sentido Contrário, vivida pelo personagem Fábio fala de sentimentos de afeto e da importância de vivermos ao lado de pessoas que nos tornam melhores”.

Já no que Avaristo diz a respeito de seu próprio texto ele busca demonstra o valor da união e assim arremata com sua fala sobre o Festival de Artes Cênicas de Alagoa “Participar do Festal está sendo uma experiência muito especial, voltar com o espetáculo em Maceió depois de dois anos da estreia que foi em 2017, na 13ª edição do Quinta no Arena, é um sentimento muito bom. O festival é uma ótima oportunidade de conhecer grupos que atuam no nosso estado e ter esses grupos nas comunidades”.