terça-feira, 23 de outubro de 2018

Obrigado a todos parceiros, apoiadores e patrocinadores

Já estamos chegando na reta final de mais uma edição do Festal. Foi um ano de muito trabalho e dedicação. Enfrentamos muitas adversidades e atropelos, porém resistimos e, juntos, conseguimos mais uma vez mostrar o quanto as artes cênicas de Alagoas pulsa forte e obstinada pela mudança de um cenário cultural sempre mais rico, engajado e potente. Nós do Grupo Gestor estamos muito felizes por mais essa vitória.

Entretanto, é importante mencionar que não estivemos sozinhos e isso é um alento. Em tempos como esses em que a arte e a cultura sofrem ataques sistemáticos movidos pelo preconceito, é lindo de ver que ainda é possível encontrar pessoas e instituições interessadas no desenvolvimento artístico-cultural local. Essa postagem é um muito obrigado a todas e todos aqueles que acreditaram e acreditam nesse projeto, nesse movimento.

A começar pela Algás, que vem apostando na nossa ideia. Esse foi o segundo ano consecutivo com o Prêmio Algás Social, um patrocínio fundamental para a continuidade desse Festival.
Outro grande parceiro dessa edição é a Fundação Municipal de Ação Cultural - FMAC, que nos possibilitou o acesso a equipamentos, estruturas e programação paralela, que enriqueceram nossa ação desse ano.




Também temos orgulho de contar com e equipe linda responsável pela acessibilidade. Sem Bárbara Lustoza e a Soluções Acessíveis, seria muito mais difícil aproximar as artes cênicas das pessoas com deficiência auditiva e de baixa acuidade visual.

Nosso muito obrigado à equipe de fotógrafos, responsável pelo registro sensível das apresentações, bastidores e momentos especiais. São eles: Alexandra Souza, Amanda Moa, Benita Rodrigues, Jadir Pereira, André Cavalcanti e Ane Pradines.

Gratidão ainda ao pessoal da Feirinha Colabora, dando vida à praça Sinimbu; da Innovare Sublimação, estampando nossa marca e do Sesc Alagoas, com toda sensibilidade da sua equipe de cultura.


Contamos ainda com a parceria da Ufal por meio da Escola Técnica de Artes, do Museu Théo Brandão e do Espaço Cultural. Uma alegria esse diálogo entre artistas, estudantes e a Academia.

Outra instituição que nos alegrou com sua parceria foi a Casa Jorge de Lima, recebendo parte da programação.

Ter a presença de vocês nessa edição nos encheu de gás e força para continuarmos nessa luta. Estamos muito felizes e agradecidos pela contribuição de cada um de vocês!

Mas a festa ainda não acabou. Hoje, dia 23/10, ainda vai rolar muita coisa boa. E as atrações continuam amanhã. Acesse nossa programação e venha fazer parte dessa Festa.

sábado, 6 de outubro de 2018

Programação Festal 2018!


DATA
MANHÃ
TARDE
NOITE

17/10/18

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17h30 - Baldroca, Associação Teatral Joana Gajuru - Praça Sinimbú. Livre (Libras)
20h - Negreiros, Cia La Casa - Sala Preta. 14 anos


18/10/18


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15h - Encantados das águas, Linete Matias - Museu Théo Brandão.  Livre (Libras)
20h - Mini Cabaré Tanguero, Julieta Zarza - Sala Preta (Espaço Cultural da UFAL).  Livre



19/10/18



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15h - Èwòn, Cia Cambada - Casa Jorge de Lima (ação voluntária). 14 anos
19h - Ciclos Viciosos, Invasão Piegas - Museu Théo Brandão. Livre

20h - Por um Triz, Cia Teatro da Meia Noite - Sala Multiuso (Espaço Cultural da UFAL). 10 anos (Libras)




20/10/18




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18h - Le Mond Bleu, Cia Raízes da Terra - Sala de Orquestra (Espaço Cultural da UFAL). Livre (AD)
20h - Bailarete, a Bailarina Barbada, Cia. Ato Reflexo - Sala Preta (Espaço Cultural da UFAL). Livre (Libras e AD)

21hPraça Musical com Mel Nascimento - Praça Sinimbú




21/10/18




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16h - O Baile do Menino Deus, Cia Mestres da Graça - Praça Sinimbú. Livre (Libras e AD)
19h - Os Que Vem de Longe, Teatro da Poesia - Sala Preta (Espaço Cultural da UFAL) 10 anos (Libras e AD)

21hPraça Musical com May Honorato  - Praça Sinimbú




22/10/18



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16h - Geni - não recomendada, Cia Vers'Artes - Praça Sinimbú (ação voluntária). 12 anos
20h - Medusa ao Reverso, Kamilla Mesquita - Sala Preta (Espaço Cultural da UFAL). 14 anos

21hPraça Musical com Artehfato - Praça Sinimbú




23/10/18
09h45 - A Mala, Cia A Cambada - Museu Théo Brandão. 10 anos
15h - R.A.L.E, Jessé Batista/Código 8 - Sala Multiuso (Espaço Cultural da UFAL). 10 anos (AD)
20h - Entre Rio e Mar Há Lagoanas, Coletivo Heteaçã - Sala Preta (Espaço Cultural da UFAL). 16 anos (Libras)

21hPraça Musical com Sujeit@ Mente Ativa - Praça Sinimbú






24/10/18

15h - À Direita de Deus Pai, Grupo Os Bufões da Mãe Joana - Casa Jorge de Lima (ação voluntária). Livre (Libras)
18h - Praça musical com Naná Martins - Praça Sinimbú

19h - Do Barro ao Sangue, Cia Vers'Artes - Sala Preta (ação voluntária). 12 anos

20h - "Palhaçaria de Improviso", Clowns de Quinta - Praça Sinimbú. 16 anos

21h - Praça musical com Edi Ribeiro - Praça Sinimbú


Exposição "Fios da Memória" - Museu Théo Brandão

Abertura: 10/10, às 19h.
Banda dos Clowns de Quinta
Discotecagem com Magno Almeida

Sarau Confluente: 11/10, às 19h
Identidade Alagoana
Jurandir Bozo
Mestre Laércio

Visitação: 16 a 26/10, 09h às 17h (terça a sexta)

Feirinha Colabora - Praça Sinimbú


20 a 24/10 - 16h às 21h

Bate papos Fios da Memória - Casa Jorge de Lima
15, 16 e 17/10, das 15h às 17h.
Telma César, Valéria Nunes e Reginaldo Oliveira (Dança)
Mary Vaz, Charlene Sadd e Everlane Moraes (Performance)
Waneska Pimentel, Otávio Cabral e Jadir Pereira (Teatro)
Peró Batista, Magnun Angelo e Elaine Lima (Circo)
Zeza do Coco, Wilson Santos e José Acioli (Etnocena)

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Confira a lista dos espetáculos selecionados para o IV Festal - Performance

O Festival de Artes Cênicas de Alagoas, Festal, em sua 4ª edição, tem a honra de apresentar a relação dos 15 grupos selecionados para integrar a programação de 2018, que será realizada entre os dias 17 e 24 de outubro, com espetáculos gratuitos, no Centro de Maceió. O Festal contará com manifestações artísticas de palhaçaria, contação de histórias, dança, performance e teatro.
PERFORMANCE:
COLETIVO DE ARTES INVASÃO PIEGAS
Criado em 2010, quando a fundadora Everlane Moraes começou a escrever poesias, surgiu a ideia de criar um movimento. Vários experimentos deram asas as performances e outras atividades. Everlane Moraes é do Curso de Licenciatura em Dança e o Técnico em Dança- UFAL, apresentando no Festal Ciclos Viciosos, que é o relato de uma mãe que perde o filho em meio aos becos e vielas. Baseado em uma história real, a performance mostra as dores de uma mãe que perde seu filho na Vila Brejal, sofrendo com informação que não chega, as oportunidades escassas, refletindo na questão de escolhas.






RAÍZES DA TERRA - DAYANE TELES
Dayane Teles é atriz, formada em Comunicação Social com ênfase em Publicidade Propaganda e Especialização em Metodologia do ensino das artes, ex-coordenadora do Ponto de Cultura Corredor da Cultura (Arapiraca-Alagoas), participou em 2010 e 2013 da Cobertura Colaborativa das Teias (A Teia é o encontro nacional dos Pontos de Cultura e também encontros regionais das entidades que integram o Programa Cultura Viva, promovidas pelo Minc - Ministério da Cultura), vencedora do Prêmio Jovem Criativo, no evento anual promovido pelas Organizações Arnon de Mello, Festival Gazeta de Publicidade e finalistas de vários outros prêmios. Ela encena, no Festal, Le Monde Bleu - Uma Viagem ao Mundo Azul, um espetáculo performance, que trata do TEA - Transtorno do espectro autista – com a visão de uma mãe de primeira viagem que descobre que o filho é autista. A partir daí, começam as andanças pelos tratamentos multidisciplinares, de onde surge a inspiração para o espetáculo. Cenas do cotidiano e a vivência se misturam, levando o público para o mundo do autismo de uma forma sensível, visceral e única.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Confira a lista dos espetáculos selecionados para o IV Festal - Contação de Histórias

O Festival de Artes Cênicas de Alagoas, Festal, em sua 4ª edição, tem a honra de apresentar a relação dos 15 grupos selecionados para integrar a programação de 2018, que será realizada entre os dias 17 e 24 de outubro, com espetáculos gratuitos, no Centro de Maceió. O Festal contará com manifestações artísticas de palhaçaria, contação de histórias, dança, performance e teatro.
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS:
LINETE MATIAS
Linete Matiascontadora de histórias há mais de 15 anos, apresenta Encantados das Águas, resultado do Edital Microprojetos Rio São Francisco – 2013, do Ministério da Cultura. Durante este ano, Linete Matias ouviu e registrou cinquenta histórias, que estão em seu livro relatório Encantados das Águas. No espetáculo, ela deixa se levar pela memória, permitindo que as histórias ouvidas e sua própria memória de ribeirinha sejam apresentadas ao público sem um repertório definido, se aproximando ao máximo de uma narração na porta de casa, espontânea e mais tradicional. Mércia Maria compõe a produção do espetáculo.

CIA A CAMBADA

Com o espetáculo A Mala, a Cia A Cambada já percorreu várias cidades alagoanas a exemplo de Delmiro Gouveia, Maceió, fez turnê no Rio de Janeiro e São Paulo. A mala traz a oralidade nordestina, como seus cantos e contos, a sua devoção, buscando resgatar a cultura que está se perdendo com o grande avanço tecnológico ao brincar e contar histórias. Os personagens viajantes trazem consigo suas maletas, que é a representação física de sua mente, de dentro delas vem as histórias, cantos, devoção. A direção é de Éric Pascoal; texto de Alex Silva, Allef Willams, Antonielle Santos, Elizabeth Lorenzzo, Éric Pascoal e Luciano Tenório; produção de Lia Bernardes e Antonielle Santos; e os viajantes são Alexandre Nascimento, Elizabeth Lorenzzo e Éric Pascoal.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Confira a lista dos espetáculos selecionados para o IV Festal - Circo

O Festival de Artes Cênicas de Alagoas, Festal, em sua 4ª edição, tem a honra de apresentar a relação dos 15 grupos selecionados para integrar a programação de 2018, que será realizada entre os dias 17 e 24 de outubro, com espetáculos gratuitos, no Centro de Maceió. O Festal contará com manifestações artísticas de palhaçaria, contação de histórias, dança, performance e teatro.
PALHAÇARIA:
CLOWNS DE QUINTA

O grupo Clowns de Quinta, fundado em 2012, vem pesquisando e desenvolvendo projetos sobre a palhaçaria e comédia. O espetáculo que a trupe traz para o 4 Festal é Palhaçaria de Improviso. Nele, quatro jogadores, sendo três palhaços e um palhaço mestre realizam cenas de improviso, que convidam a plateia a se divertir e interagir propondo temas para cada jogo. No elenco, estão David Oliveira, Nathaly Pereira, Romário Steven e Wanderlândia Melo. A produção é de Elaine Lima e Jessé Batista fica responsável com a parte técnica.
JULIETA ZARZA
Julieta Zarza é intérprete criadora de grande produção autoral Argentina, dirige, cria, atua e coreografa espetáculos de circo e palhaçaria há 20 anos. Mini Cabaré Tanguero é o que Julieta Zarza apresenta neste festival. Se trata de um fabuloso e variado Cabaré Porteño, no qual os espectadores mais exigentes poderão contemplar o melhor da dança e da música Rio-Platense. Seria tudo formidável, não fosse um pequeno porém: uma mulher excêntrica pode aparecer e atrapalhar a cena. Um solo, onde manipulação, mágica, humor e panaquice surpreendem e emocionam a cada instante. Julieta Zarza assina a criação, interpretação e direção. José Regino é assistente de direção. 

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Confira a lista dos espetáculos selecionados para o IV Festal - Dança



O Festival de Artes Cênicas de Alagoas, Festal, em sua 4ª edição, tem a honra de apresentar a relação dos 15 grupos selecionados para integrar a programação de 2018, que será realizada entre os dias 17 e 24 de outubro, com espetáculos gratuitos, no Centro de Maceió. O Festal contará com manifestações artísticas de palhaçaria, contação de histórias, dança, performance e teatro.
DANÇA:
JESSÉ BATISTA/ CÓDIGO 8

Jessé Batista assina Código 8 Coletivo.  Ele é b.boy, intérprete criador, dançarino e professor de dança, formado como Técnico de Dança pela Escola Técnica de Artes –UFAL, graduando Licenciatura em Dança na mesma universidade, já passou por diferentes cidades participando de festivais em Paraíba, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Para, Santa Catarina e Distrito Federal. Integrou projetos como Nuvens Enraizadas com a Cia dos Pés (contemplado com o prêmio Funarte Artes na Rua); colaborou em pesquisas e processos coreográficos com LabMov – Laboratório de Movimento - grupo de extensão da Escola Técnica de Artes; fez parte do projeto Gesto, idealizado e realizado pelo Sesc Alagoas; criador e integrante do Código 8 Coletivo de Dança. Em 2013, iniciou pesquisa solo em dança, criando seu primeiro trabalho intitulado como Encenações Urbanas e em seguida criando R.A.L.E (Realidade Apropriada Libera Evidência), que foi premiado pelo FICA – Fomento de Incentivo à Cultura Alagoana – Premio Diogo Silvestre 2016.
 R.A.L.E trata de um corpo preado por um sentido político que desfavorece um terço da imensa população brasileira, não é a questão de permanecer e pertencer aquele lugar e sim de ser tratado como apenas um mero corpo. Um corpo construído como um dispêndio de energia muscular, em meio a ruas, avenidas, becos, vielas, subidas, decidas, em uma cidade desigual, a qual um dos maiores desafios é se sustentar perante o seu próprio corpo. A criação, pesquisa e a dança são de autoria de Jessé Batista, a assistência de direção e a iluminação ficam com Sara Lessa e tem colaboração artística de Valéria Nunes e Marcos Mattos

KAMILLA MESQUITA OLIVEIRA

Bailarina e Docente do Curso de Licenciatura em Dança da UFAL, com atuação nas disciplinas voltadas para as pesquisas em práticas e técnicas de dança com ênfase na técnica Klauss Vianna; processos criativos em dança e composição coreográfica. Doutora em Artes da Cena; Mestre em Artes Cênicas e Graduada em Dança pela UNICAMP, Kamilla Mesquita Oliveira vem ao Festal com o espetáculo Medusa ao Reverso, que com um simples olhar é capaz de transmutar em pedra inerte qualquer ser vivente. Neste trabalho, os seres míticos de pedra da escultora francesa Camille Claudel – sereias, ninfas, parcas, górgonas, deusas, um panteão de deidades – em contato com o olhar de Kamilla transmutam-se em movimento. A criação e interpretação são de autoria de Kamilla Mesquita, direção e iluminação de Jessé Batista, produção de Sara Lessa e colaboração artística de Jussara Miller e Igor Capelatto.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Confira a lista dos espetáculos selecionados para o IV Festal - Teatro


O Festival de Artes Cênicas de Alagoas, Festal, em sua 4ª edição, tem a honra de apresentar a relação dos 15 grupos selecionados para integrar a programação de 2018, que será realizada entre os dias 17 e 24 de outubro, com espetáculos gratuitos, no Centro de Maceió. O Festal contará com manifestações artísticas de palhaçaria, contação de histórias, dança, performance e teatro.

TEATRO:
COMPANHIA ARTÍSTICA LACASA (CIA LACASA)


A Companhia Artística LaCasa foi fundada em novembro de 2016 por um grupo de artistas experientes que fizeram parte de outras companhias alagoanas de teatro: Grupo Joana Gajuru, Cia Fulanos I’Sicranos, Associação Teatral das Alagoas. Abides de Oliveira, um dos fundadores do grupo Joana Gajuru, no qual desenvolveu um trabalho em teatro até dezembro de 2015, e diretor e responsável pela dramaturgia dos espetáculos A Mulher Braba e Negreiros; Ane Oliva ex-integrante do grupo Joana Gajuru, é atriz e socióloga, responsável pelo figurino dos espetáculos A Mulher Braba e Negreiros e mantém, na Vila ABC, o Instituto Eu Mundaú; Gama Júnior, músico e compositor alagoano, diretor musical de A Mulher Braba e de Negreiros; Tereza Gonzaga, atriz, fundadora e ex-integrante do grupo Joana Gajuru, no qual foi destaque no espetáculo A Farinhada; Fátima Farias é atriz, iluminadora e diretora de teatro; e Gi Silva, ator e músico e vocalista da Banda RaizKanoa.
A companhia alagoana apresenta no Festal seu segundo espetáculo teatral, Negreiros, que traz para o palco temas abolição e escravidão. O que aconteceu com os libertos após 13 de maio de 1888? O que o Brasil fez com eles? Assunto ainda atual no século 21, é preciso abordar essa questão. É necessário falar sobre ser negro em um país de maioria negra, mas de minorias negras. A política brasileira do século 19, época da Lei da Abolição no país, não é tão diferente da atual. Preconceito, perseguição, esquecimento... A relação opressor e oprimido é colocada em cena. Mágoas, lutas, superação e enfrentamento para a construção de um ser humano melhor, mais respeitado e reconhecido. Negreiros tem direção de Fátima Farias e Abides Oliveira, texto de Abides Oliveira, o elenco é composto por Gi Silva e Abides Oliveira, a direção musical de Gama Júnior e a trilha musical feita por Gama Júnior, Abides Oliveira e Gi Silva.
ATO REFLEXO COMPANHIA DE TEATRO

A Ato Reflexo Companhia de Teatro surgiu no cenário teatral alagoano em 2004 por iniciativa de atores arapiraquenses estimulados pelos festivais de teatro locais e por iniciativas de fomento a cultura no município de Arapiraca. Além dos espetáculos, a Ato Reflexo também realiza oficinas de teatro, circo e musicalização, performances circenses em eventos, escolas e instituições públicas e privadas.
Bailarete, a bailarina barbada, o primeiro espetáculo totalmente autoral, conta a história de uma bailarina que tem um forte desejo em viver dançando, mas por causa da sua barba é rejeitada em vários lugares. O espetáculo traz à tona uma reflexão sobre a formação das identidades, a tolerância, as diferenças e a realização de sonhos. A peça engloba vários elementos como o teatro, o circo, a música e o ballet clássico, Bailarete, a bailarina barbada é interpretado por Paulo Cândido, que além de ator também é violinista, malabarista, palhaço e aluno de ballet há cinco anos. O texto e a direção são de autoria do mesmo.






TEATRO DA POESIA

O Teatro da Poesia surgiu em 2015, a partir da junção de dois alunos da Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas: Jadir Pereira e Louryne Simões. A cia pretende investigar como a poesia se estabelece no teatro; o que caracteriza um teatro poético? Para isso, busca utilizar recursos que unam estas duas artes, poetizando o teatro e teatralizando a poesia, investigando o que é o poético e como ele se traduz para a linguagem teatral, explorando a criação de cenas poéticas a partir do texto literário, a leitura dramatizada, a performance e a improvisação a partir dos jogos cênicos, a criação de um corpo poético e a exploração dos silêncios. Os que vêm de longe, espetáculo apresentado pelo grupo no Festal, conta a travessia de cinco refugiados: o palestino Abbah, o sírio Faruk, a congolesa Gina, a colombiana Lola e a sudanesa Sunamita. Fugindo da guerra, da violência, da fome e da morte, esses estrangeiros se encontram no mesmo barco, dividindo suas memórias, dores e esperanças, enquanto derivam rumo a novas fronteiras. A direção é de Jadir Pereira, texto de Jadir Pereira, Jamerson Soares e Louryne Simões O elenco conta com Aldine de Souza, Camila Moranelo, Jamerson Soares, John Fortunato e Louryne Simões.

COMPANHIA TEATRAL MESTRES DA GRAÇA

A Companhia Teatral Mestres da Graça surgiu em 2006 ainda com o nome GTAPI – Grupo de Teatro Amador de Palmeira dos Índios, a partir de uma fusão de atores de vários grupos diferentes (grupo de teatro oásis, grupo de teatro yamarache e candeeiro).  Atualmente, a companhia é ponto de cultura reconhecida pelo Programa Cultura Viva, do ministério da Cultura. Firmou convênio com a Secretaria de Estado da Cultura para execução do projeto Diálogos Culturais, que visa realizar três cursos de iniciação de teatro, música e dança, além de oficinas de interlocução entre as distintas áreas como forma de preparação dos jovens para a atuação e iniciação ao mercado cultural como escolas municipais, estaduais e instituições.
A Cia chega ao Festal com Baile do Menino Deus, um auto de Natal escrito por Ronaldo Correia de Brito e Francisco Assis Lima, com músicas de Antônio Madureira. Em vez de papais-noéis, renas e trenós, o musical leva ao palco figuras típicas da cultura popular nordestina, como o Mateus, o Jaraguá, o bumba meu boi e os caboclinhos, embalados por canções originais, inspiradas nos ritmos e nas tradições da região. A história se passa com os brincantes como personagens que seguem de casa em casa e um palhaço, Mateus, conduzindo a narrativa. Na peça, o Natal não valoriza as compras nem a comilança, mas elege, como foco principal, o Menino Deus e o que ele representa, como símbolo do renascimento e da esperança.
ASSOCIAÇÃO TEATRAL JOANA GAJURU

Fundada em 1995, a Associação Teatral Joana Gajuru é um grupo pioneiro em teatro de rua em Alagoas. O nome faz uma homenagem à primeira mestra de Guerreiro, folguedo de Alagoas, Maria Joana da Conceição, a Joana Gajuru. O grupo foi fundado por oito atores, parte deles recém-formados pelo Curso de Formação do Ator da Universidade Federal de Alagoas e outra parte de uma oficina de teatro de rua ministrada pelo grupo Imbuaça-SE, em Maceió. Nesses 23 anos de existência, o Joana Gajuru se tornou referência no teatro de rua em Alagoas, acumulando prêmios e reconhecimento por seu trabalho em âmbito local e nacional. Em suas montagens, o grupo preza pelo uso dos elementos da cultura popular.
Baldroca acontece na pequena Lajinha, Mané Fulô enfrentará o valentão Targino para proteger a honra de sua amada, Maria das Dores. Mas para conseguir vencer o inimigo, ele terá a ajuda do curandeiro do lugar. Na montagem, o grupo passa pela experiência de um processo colaborativo. O texto é escrito durante todo o processo, com a colaboração do grupo e do diretor. Improvisações, estudos da obra do autor, pesquisa de elementos afro-brasileiros e religiosos, musicalidade, danças, entre outros trabalhos, são desenvolvidos. Tudo é levado à cena e a dramaturgia. A direção é de Lindolfo Amara, adaptação de Abides de Oliveira do conto Corpo Fechado de João Guimarães Rosa, a assistência de direção ficou com Eris Maximiano e Waneska Pimentel e a preparação corporal com Glauber Xavier e Nani Moreno.
COLETIVO HETEAÇÃ


É um grupo de teatro de Maceió, existente desde 2013. Sua criação foi motivada pelo desejo em desenvolver uma prática coletiva que possibilitasse a experimentação de manifestações cênicas na rua e em espaços alternativos dialogando com diversas linguagens. Há Lagoanas, que será encenada no Festal, é uma fábula que recria o nascimento da Lagoa através do cotidiano e da memória de mulheres que cresceram as suas margens e dentro dela. A direção é de Gessyca Geyza, o texto e a assistência de direção de Bruno Alves e as atrizes criadoras são Gessyca Geyza, Nathaly Pereira e Wanderlândia Melo.
CIA TEATRO DA MEIA-NOITE

Fundada em 2001, a Cia teatro da Meia-noite é uma Associação com fins culturais que busca contribuir para o desenvolvimento da arte e cultura alagoana por meio da promoção, o planejamento e a execução de atividades artísticas, espetáculos, performances, realização de cursos, seminários, palestras, encontros, eventos e intercâmbios. A Cia Teatro da Meia-noite nasceu durante o processo de montagem do espetáculo Cinco para o Cadafalso. A Cia conseguiu marcar seu nome no panorama teatral de Alagoas e em algumas regiões do Brasil, pois passou por vários festivais de teatro nacionais, além de ganhar alguns prêmios e editais nacionais de fomento e montagem, devido à qualidade e apuro técnico de seus espetáculos.
Em 2005, a Cia foi premiada se tornando Ponto de Cultura, do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, com o projeto Circo-Escola de Incentivo às Artes – C.E.I.A. Em 2006, foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, pelo espetáculo Barca do Inferno. Em 2007, apresentou A “Involução” do Homem, seu primeiro espetáculo com os alunos atendidos do Ponto de Cultura – C.E.I.A. Ainda em 2007, foi contemplada com o espetáculo Insônia no Prêmio BNB De Cultura. Em 2008, recebeu o Prêmio Interações Estéticas/Funarte, com o espetáculo Metafaces. Também em 2008, foi contemplada com mais dois Prêmios da Funarte De Teatro Myriam Muniz com os espetáculos Meu Pé de Fulô e Marina.
Nesses 17 anos da Cia, seus espetáculos já foram assistidos por mais de 200 mil espectadores em Alagoas e em outros Estados do País. O grupo também ministra oficinas de montagem e palestras que contribuíram para o surgimento e formação de novos grupos e de diversos profissionais de artes cênicas no Estado de Alagoas.
O espetáculo, encenado no Festal, Por um Triz é um mergulho interior na escuridão da alma da personagem, uma atriz se descontruindo, se desnudando das muitas máscaras adquiridas em seus anos de existência, na busca de sua própria face, ou quem sabe achar algum sentido em ser e estar, seja no ofício de atriz ou, simplesmente, enquanto indivíduo no mundo, numa espécie de peregrinação solo, de imersão profunda, viajando ao seu interior em busca de si mesma. Durante essa viagem, ela se perde nas lembranças e memórias de sua trajetória pessoal e profissional, desde os processos de construção de personagens aos seus dramas pessoais da vida que leva. A angustia de ser muitas e não saber mas quem se é ou o que se quer, tampouco no que se tornou a leva ao conflito de se dividir em “variações de si mesma” sem mais compreender o que sentir ou seguir, abandonar a convicção de “ser artista” devido a tantas inseguranças que o ofício lhe apresenta: a insegurança financeira, a ausência de apoio moral ou físico dos que a cercam, as plateias quase vazias, as presenças dos críticos ou, simplesmente, seguir os padrões impositivos da sociedade moderna, buscar a felicidade, a personagem vaga num mar de interrogações e inquietações numa espécie de labirinto escuro percorrido, numa viagem imprecisa sem bussola, mapas ou companhia. Ela está só, mas é como se estivesse perdendo a sua própria companhia e, em sua bagagem apenas; máscaras, memórias e incertezas.
O texto e a argumentação são de Julien Costa, que também assina a direção e a concepção estética, e Katia Rúbia, que compõe ainda o elenco do espetáculo. A concepção da trilha sonora, execução e iluminação ficam com Izácio. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

FESTAL – TRANSFORMANDO A CULTURA DO ISOLAMENTO


por Telma César
No dicionário Aurélio, festa é reunião alegre para fim de divertimento. Festival é uma grande festa. Também reunião artística para fins de competição.
Diversão e competição parecem atributos pequenos para a dimensão artística das Artes Cênicas. Entendendo o papel da arte em redimensionar a condição humana e, desse modo, capaz de “colocar o conhecido em risco”, proponho a revisão do significado da festa em nossas vidas e ir ao encontro do seu sentido mais ancestral e mítico, lugar onde a festa se dá como espaço de troca e re-significacão do cotidiano e do sentido da existência. Lugar onde a arte, em sua gênese, é parte constitutiva.
Pensar um festival de Artes Cênicas nesses termos significa pensar a troca entre sujeitos/agentes desse contexto como objeto norteador do seu sentido de existir. Até porque é a necessidade de comunicação a razão de ser da arte. Em um festival de Artes Cênicas, essa troca pode se dar em diferentes instâncias, a começar pela própria formulação do festival, isto é, pela sua concepção. Neste sentido, penso que o FESTAL só tem avançado nessa direção desde sua primeira edição em 2015 até hoje.
Fomentar a criação, facilitar a circulação de idéias e os debates de pensamento, promover o intercâmbio e, principalmente, garantir a diversidade de linguagens sem qualquer tipo de preconceito, são objetivos de um festival de arte que o Festal tem perseguido e conquistado.
Penso que a principal riqueza lançada pelo Festal e que devemos alimentar é a capacidade de refletir sobre as características próprias da nossa realidade sem estarmos presos a modelos de festivais existentes em outros estados. Aproveitarmos os diferentes talentos aqui existentes, posto que (ainda) não se reconhecem, pensando na importância da reverberação das ações desenvolvidas no Festival, não somente no agora, mas também a médio e longo prazo.
Entendendo o Festival como um sistema de produção de cultura, formado por diferentes fases da ação cultural que envolve produção, distribuição, mecanismos de troca e de usufruto das obras, na plenitude do entendimento de seus aspectos formais, de conteúdo, sociais e outros, estamos avançando cada vez mais na experiência de que esse sistema só funciona de maneira efetiva quando cada uma dessas fases estabelece comunicação. Aqui me coloco como participe dessa festa, ainda que timidamente, mas da qual tenho imenso orgulho enquanto alagoana e artista que sou. Se a vida do Festal será longa? Não penso que seja isso que importa no momento (apesar de aqui depositar meu desejo) posto que está sendo intensa e vivida em plenitude por seus participes nos afetos que produz, na intensidade das trocas produzidas, e na potência de transformação cultural que já demonstra face a capacidade de organização coletiva de uma classe artística!


Telma César é dançarina, docente da Universidade Federal de Alagoas e diretora da Cia dos Pés


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O Festal sob as lentes das câmeras

A importância de se produzir o registro visual de uma ação como o Festal é inquestionável. Estamos fazendo história e ter o cuidado de capturar todos os momentos possíveis dessa aventura é um ponto que não pode ser negligenciado.

Nesse processo de construção dessa rede, buscar aproximação com profissionais sensíveis e, a priori, mais interessados em alavancar essa ideia do que assumir uma postura individualista e restrita à prestação de serviço, é sempre a melhor opção.

Com base nesse modo de operar, é possível afirmar que ao longo dessas últimas duas edições tivemos a alegria de andar em ótimas companhias quando o assunto é fotografia.

A Xanda Souza e o Nyrium são dois nomes muito especiais que tem nos acompanhado desde 2016 e contribuído sobremaneira não somente nesse processo de captura dos momentos de produção, mas também se colocado como verdadeiros colaboradores desse acontecimento que é o Festal.
Nyrium em ação no Festal 2017. Foto: Nivaldo Vasconcelos.

Tivemos uma rápida conversa com esses dois fotógrafos profissionais, para saber como eles enxergam o Festal e esse processo de fotografar espetáculos cênicos. Além disso, eles também deixaram algumas dicas para os grupos que tem alguma dificuldade para produzir o registro de seus próprios trabalhos.

Para Xanda, "O Festal não é apenas um evento de apresentações artísticas, é a união de pessoas que estão envolvidas em algo que infelizmente não vemos ser valorizada, a Arte".
O clique exato do Nyrium no espetáculo "A Granja dos Corações Amargurados", da Cia Claricena.

Sobre esse assunto, o Nyrium reconhece a validade do Festal enquanto uma ação importante para a classe, especialmente porque é uma iniciativa única realizada por aqui, no sentido de engajamento dos artistas e da produção. Mas ele também percebe algumas fragilidades a serem encaradas de maneira mais eficiente, sendo a comunicação um exemplo citado por ele.

Ainda assim, tanto a Xanda quanto o Nyrium afirmam que o Festal foi e tem sido um espaço de muito aprendizado para eles. Xanda encontrou no Festal uma ótima oportunidade de unir sua paixão pelo teatro com o amor pela fotografia. Como ela nos diz: "Com esse trabalho de registro de espetáculos, consegui ter mais conhecimento em relação ao trabalho de todos, tanto da produção quanto dos que estão em cena, então acabei tendo mais envolvimento e com isso mais aprendizado".
O Nyrium por sua vez, destaca seu aprendizado no processo de observação, o que o ajudou na agilidade com a câmera e com o foco, já que diante da dinamicidade da cena a iluminação pode mudar "num piscar de olhos".

O registro de espetáculos cênicos não é uma tarefa fácil. É preciso ficar atento para não desperdiçar os momentos. Nesse sentido, Xanda costuma reconhecer o espaço antes de começar o trabalho e também entender a ideia do diretor para saber o que é importante ser captado.
O olhar de Xanda Souza sobre o espetáculo "Dança Anfíbia", da Cia dos Pés.

Já o Nyrium chama a atenção para a relação com o público a fim de evitar chamar mais atenção do que a cena. Além disso, ele menciona a importância de se ter paciência para se esperar menos do ambiente e valorizar mais o próprio processo de registrar.

E para os grupos que por ventura não tem condições de contratar os serviços de um profissional para fotografar seus espetáculos e se sentem inseguros de assumir essa função, nossos queridos colegas explicam que hoje já é possível fazer um bom registro de um espetáculo usando celular ou alguma câmera mais simples. E sugerem que se tenham cuidado com a iluminação para evitar a produção de fotos nem muito claras nem muito escuras. Testar é sempre um bom caminho para isso.

Nyrium também sugere que se possível seja feito o registro de vários ângulos para não ficar restrito à visão frontal. E a Xanda chama atenção ainda para o fato de que é preciso ter em mente a clareza sobre a finalidade do registro e qual a ideia do trabalho, para que as imagens fiquem a contento.

Xanda Souza na frente das câmeras. Foto de arquivo pessoal.


E assim, seguimos contentes com a companhia desses dois profissionais que tem garantido um olhar sensível e atento sobre esse momento da história da produção cênica alagoana.

É importante mencionar que além da Xanda e do Nyrium, nosso grupo de fotógrafos também conta com alguns voluntários e interessados em investigar esse campo. São eles o Jadir Pereira, o André Cavalcanti e o Nivaldo Vasconcelos. Somos gratos pelo trabalho de todos esses amigos e parceiros que contribuem para a construção de múltiplas perspectivas sobre o que temos realizado com a Rede de Artes Cênicas de Alagoas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Entrevista: Cia Teatro da Meia-Noite

O ator e diretor Julien Costa, da Cia Teatro da Meia-Noite, falou um pouco sobre o processo criativo do espetáculo "Por Um Triz", estreado ano passado e que comporá a programação do Festal esse ano. A peça traz uma discussão que sempre permeou o campo das artes, mas que nesse contexto de crise encontra-se ainda mais acentuada: como seguir criando artisticamente num cenário tão adverso, desprovido de políticas públicas?
Nesse sentido, Julien reconhece no Festal, um caminho possível para transformar esse contexto em favor da produção artística e cultural de Alagoas.

Confira abaixo a entrevista na íntegra.


FESTAL
: Quais as principais motivações e situações que permeiam a gênese da criação do espetáculo que seu grupo apresentou no Festal?

JULIEN: POR UM TRIZ é resultante de uma Oficina de montagem promovida pela Cia Teatro da Meia-noite de fevereiro a outubro de 2017, A CRISE financeira, emocional e existencial que assolou o país nos último quatro anos, principalmente no segmento cultural; a desistência de artistas continuarem  a acreditarem em seu ofício; o fechamento de espaços cênicos e teatros  alternativos mantidos por grupos, coletivos e artistas no PAÍS, foi o ponto de partida para desenvolver um texto sobre o tema em questão, e assim nasce a história de Maria JOSÉ, A “MAZÉ” - uma atriz, navegante solitária, que viaja ao seu “interior” e inquietações para refletir sobre seu ofício e que sentido seguir.
Cena do espetáculo "Por um Triz", da Cia Teatro da Meia-Noite. Foto: Jadir Pereira

FESTAL: No que se refere à relação direção x elenco, como vocês costumam caracterizar o processo criativo desse espetáculo? Como essas funções foram compreendidas e exercidas durante esse processo?

JULIEN: O primeiro passo foi desenvolver a Dramaturgia, cuja a missão ficou a cargo de Julien Costa, que também ficou responsável por conceber a estética da encenação e na direção do Espetáculo; a cada cena escrita, o texto era enviado por e-mail para a Atriz Kátia Rúbia, que por morar em Arapiraca, durante a semana revisava, refletia, suprimia, acrescentava e reenviava de volta para Julien e assim foi durante todo o processo de construção do texto até chegarmos a 8º versão e definitiva do texto. Só a partir da conclusão do texto, começaram os ensaios, após definido a dramaturgia e a estética das encenação, ficou a cargo de Izácio Francisco, desenvolver a trilha original para o espetáculo, e assim nasceu POR UM TRIZ, a seis mãos; todo processo levou nove meses até a estreia.


FESTAL: Todo processo criativo é também um processo seletivo de ideias, materiais, escolhas. No caso desse espetáculo, como se deu ou tem se dado, esse processo de edição? Se possível cite exemplos específicos.

JULIEN: Em todo processo criativo, existe o campo do ideal e do possível de realizar, as ideias se modificam e vão se ajustando de acordo com a viabilidade, tanto pela questão técnica/produção, quanto pelo nível de execução. Exemplos claros do processo foi a substituição da guitarra elétrica (ideia inicial para a sonorização do espetáculo) pelo violão e pela sonoridade acústica sem a utilização de caixas de som. Também mudamos o lugar da plateia e a quantidade de espectadores (que na ideia inicial era apresentar o espetáculo para apenas 40 espectadores, que sentariam num círculo de 40 baldes de tinta que seriam os bancos da plateia); além de cada espectador ter uma lanterna de cabeça e o público ser o “iluminador” do espetáculo, e por questões de infraestrutura, logística e acessibilidade, foram substituídas por 24 lanternas no chão que simbolicamente representam as 24 horas que completam o ciclo de um dia, e o músico passa ser o iluminador/farol da atriz durante  a apresentação.


FESTAL: Fazendo um exercício de abstração e distanciamento afetivo em relação ao trabalho, que aspectos do espetáculo (técnicos, dramatúrgicos, de produção) o grupo identifica como elementos potentes e limitações?

JULIEN: Acreditamos que a finalidade da Cia Teatro da Meia-noite com a  oficina de montagem cumpriu exatamente o seu papel, e ficamos bem satisfeitos com a resultante, dentro das perspectivas e objetivos que traçamos como meta para o processo. Criamos um espetáculo que busca homenagear todos os profissionais das artes cênicas que resistem em continuar no ofício apesar da escassez de políticas públicas e tantas outras tantas FALTAS que limitam, freiam e até cessam tantos profissionais. POR UM TRIZ, o nosso novo espetáculo, nasce da resultante de uma Oficina, fruto da reunião e da vontade de três pessoas que ficaram até o fim do processo que durou uma gestação (09 meses), com a  vontade de fazer ACONTECER, com o desejo de REALIZAR, surge com  a mesma ESSENCIA de como nasceu o FESTAL. A cada apresentação, o espetáculo ganha força e se revigora, se renova e se modifica justamente por nos propormos explorar espaços não convencionais e nos permitirmos experimentar, e OUVIR O PÚBLICO depois de cada apresentação, até para termos a clareza de como isso reverbera em quem nos assiste, e se alcançamos as pessoas de alguma forma… Claro  que  gostaríamos  de termos tido mais ensaios/encontros presenciais, que em vez de 4 horas por encontro, que tivéssemos no mínimo oito horas por dia, e que os intervalos (oito dias) de um ensaio para o outro fossem menores que  a distância de Maceió a Arapiraca, que  a vida corrida dos envolvidos no processo, o emprego e outros compromissos não fossem os principais impeditivos para não podermos nos encontrar mais vezes... Que o Intervalo de uma apresentação para outra não fossem tão longos, pois todo espetáculo precisa de ritmo e dinamismo, e isso é possível quando há uma sequência de apresentações.
Cena do espetáculo "Por um Triz", da Cia Teatro da Meia-Noite. Foto: Nyrium

FESTAL: O grupo reconhece algum sentido de continuidade e conexão entre esse processo criativo e os anteriores ou nesse caso específico se trata de uma tentativa de se desviar da maneira como o grupo tem criado? Que aspectos se apresentam como novidade no processo criativo desse espetáculo em relação aos que o antecederam?

JULIEN: Além de uma prática de colaboração e coletividade e desenvolvimento de ideias através de oficinas e exercícios, atividades comuns e cotidianas nos processos da Cia, podemos identificar como processo contínuo de Pesquisa da Cia e de conexão com nosso repertório, a inserção de literatura, de  textos literários se METAMORFOSEANDO em textos dramatúrgicos, outra prática da Cia encontrada em seus espetáculos anteriores: “Cinco Para o Cadafalso”, “Paixão Do Riso”, “Fragmentos de Vidas Secas”, “Insônia”, “Marina – uma história de Cordel”, todos esses com textos e autores da literatura, sendo experimentados como dramaturgia.


FESTAL: E para encerrar, uma pergunta sobre o Festal. Como você ou seu grupo percebe(m) o papel de movimento das artes cênicas para o cenário da produção cultural local?

JULIEN: Acreditamos que a colaboração e a coletividade é o caminho para o desenvolvimento, o crescimento e o fortalecimento de qualquer segmento, a organização e articulação entre os pares é o que torna possível algumas conquistas. O FESTAL precisa ser compreendido e abraçado por TOD@S, não como um evento anual; o Festival de Artes Cênicas de Alagoas precisa ser visto  como  a culminância de uma REDE DE ARTES CÊNICAS DE ALAGOAS, formada por grupos, coletivos e artistas solos que juntos discutem, difundem, e contribuem para a construção políticas públicas afirmativas que garantam respeito, dignidade e sustentabilidade a toda cadeia produtiva do segmento, e que essa luta é diária e contínua e que independente de nossas diferenças ideológicas ou de linguagens não podem sobrepor um bem maior: OS AVANÇOS E CONQUITAS PARA AS ARTES CÊNICAS DE ALAGOAS. É preciso ver com clareza que isso só será possível com a união e participação e COMPROMETIMENTO de TODOS nesse PROCESSO. Temos muito ainda para aprender, mas é bom ver que chegamos até aqui, na quarta edição, e que o compromisso e a responsabilidade só aumenta, mas o bom disso tudo é saber que o FESTAL É NOSSO!

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Trançando os fios da memória com Fernando Arthur

Ator Fernando Arthur, da Cia Penedense de Teatro, concedendo uma entrevista para a exposição Fio da Memória.
 
A exposição Fio da Memória se pretende um espaço de conexão com diferentes afetos em relação às artes cênicas produzidas em Alagoas. Para isso, estamos reunindo diferentes materiais que representam o pensamento, a estética, a crítica e as trocas dos mais variados artistas e grupos que teceram e ainda tecem a trama da nossa história.

Nesse sentido, estamos produzindo uma série de vídeos com artistas e público em geral, onde serão relatadas suas memórias mais vívidas sobre o que viram, fizeram e tem feito ao longo das últimas décadas em termos de artes cênicas no estado.

Um dos relatos é do querido Fernando Arthur, ator da Cia Penedense de Teatro. Suas memórias percorrem diferentes artistas, grupos e instituições que contribuíram e ainda contribuem com o desenvolvimento do teatro em Alagoas.

Arthur menciona a importância de ir ao teatro quando ainda era criança, para sua entrada nesse universo. Ele se recorda das peças infantis da Cia Cena Livre, grupo com mais de 20 anos de atuação.

Também fala do impacto ao assistir o espetáculo "A Farinhada", da Associação Teatral Joana Gajuru. E como essa experiência possibilitou seu contato com outros artistas, como René Guerra e Flávio Rabelo, que mais adiante lhes dirigiriam na Cia Penedense.

Isso, só para começo de conversa. Arthur relata muito mais. E se você ficou curioso sobre o que ele tem a dizer, não deixe de se programar, pois em outubro essas e muitas outas histórias serão exibidas na exposição Fio da Memória.

Festal 2018, a festa das Artes Cênicas de Alagoas!

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Entrevista: Coletivo Volante de Teatro



Ano passado o Coletivo Volante de Teatro se apresentou no Festal, em outubro, com o seu espetáculo Incelença. Fomos atrás do grupo para saber mais a respeito de seus processos:


FESTAL: Quais as principais motivações e situações que permeiam a gênese da criação do espetáculo que seu grupo apresentou no Festal?

Volante: No final do Festal 2016, estávamos juntos e durante o Sarau de finalização Magnum Francisco falava da morte da última testemunha do desaparecimento de seu primo Davi da Silva após uma abordagem policial aqui em Maceió, em seguida Rogério Dyas assumiu o microfone e recitou um cordel chamado “Mercado da Morte”. Aquele instante foi bastante impactante para nosso encontro. Nos dias seguintes os jornais anunciavam os dados do Mapa da Violência no Brasil e Alagoas aparecia mais uma vez entre os estados mais violentos, principalmente para jovens negros e periféricos. Naquele ano a cada 13 pessoas assassinadas, 12 eram negras e periféricas. O impacto dessa informação impulsionou que nos juntássemos.

Um mês depois do encerramento do Festal, estávamos juntos em sala de ensaio, trazendo informações que nos afetavam, experiências pessoais, familiares ou de desconhecidos. Os dados do Mapa da Violência, as crescentes comprovações no nosso dia a dia desse genocídio da juventude negra e periférica nos fez trazer esse tema à tona na nossa encenação.

A força de dona Maria José, mãe de Davi da Silva, em enfrentar e ir a imprensa e a justiça cobrar esclarecimentos pelo desaparecimento de seu filho fez com que voltássemos o nosso olhar ao longo do processo para as mães, as mães que lutam, que sofrem e que guardam firmes a memória de seus filhos.

Atravessados por esses dados, sua contínua crescente e repetição, posicionando o estado entre os primeiros no Mapa da Violência, mergulhamos nesse contexto para dar voz às histórias de mães que perderam os seus filhos e filhas. Nossos corpos são instrumentos de propagação dessas histórias que percorrem espaços de abandono e esquecimento.

O canto das Incelenças, tradição nordestina de cantos fúnebres, conduz uma jornada em busca pela memória de vidas negras que são cotidianamente silenciadas.





Festal: No que se refere à relação direção x elenco, como vocês costumam caracterizar o processo criativo desse espetáculo? Como essas funções foram compreendidas e exercidas durante esse processo?


Volante: Nosso processo é colaborativo.


Fomos encontrando a nossa forma colaborativa de trabalhar, visto que cada grupo vai entendendo como essa forma de trabalhar se adequa a sua construção.

Quando decidimos por construir “Incelença” fomos convidando pessoas que gostaríamos de trabalhar e que já nos aproximávamos de alguma forma de suas construções. Foi aí que entrou para colaborar no coletivo Nathaly Pereira e Wanderlândia Melo (Clowns de Quinta), Gessyca Geyza (Coletivo Hetéaçã), Jonathan e Jefferson (do coco de roda) e Thiago Amorim (estudante de Ciências Sociais).

A proposta inicial era que cada pessoa que ali estava trouxesse a sua experiência para dentro da construção, então, em uma semana nós trabalhávamos uma técnica de Bufão vindo de atrizes/palhaças (Nathaly e Wanderlândia), na outra a técnica da mimese corpórea por Gessyca Geyza, o coco de roda vindo da experiência de Jonathan e Jeferson, estudos sobre a violência em Alagoas com o Thiago, por exemplo. Essas experiências se misturavam, não sabíamos aonde isso nos levaria. Sabíamos que queríamos falar sobre violência. Isso nos ligava naquele instante. Inicialmente tínhamos um texto, mas ao nos encontrarmos ele foi sendo abandonado e transformado em uma experiência nova.

Em um determinado momento do processo percebemos que não chegaríamos naquele texto de dezembro de 2016 e que precisaríamos de uma direção.

É aí que o coletivo decide pela direção de Gessyca Geyza e ela assume a tarefa de orquestrar todas essas informações que trazíamos toda semana. Gessyca vai provocando, encontrando caminhos, organizando toda aquela informação para chegar no lugar que chegamos na estreia. Em paralelo um novo texto é construído através da experiência de cada ator e atriz. Bruno Alves assume a função de tecer esse texto que surgia dentro da sala de ensaio e que era moldado a partir da atuação e da direção de Gessyca Geyza.

A descoberta do espaço foi de fundamental importância. Em dezembro de 2016 achávamos que seria um espetáculo com estética de rua, mas o processo nos fez perceber que a nossa história pedia um outro espaço. Quando entendemos que o Porão do Teatro Deodoro era o nosso lugar de encenação muita coisa foi se encontrando e se fortalecendo. Muitas cenas surgiram dentro desse espaço. Ele foi de fundamental de importância e um impulsionador para que pudéssemos estrear.

Outras dramaturgias como a de luz e de figurino foram sendo incorporadas de uma forma bastante coletiva e desde a concepção e confecção as atrizes e os atores estavam envolvidos. As funções foram se mostrando ao longo do caminho, inclusive texto, espaço e sonorização.

Esse processo de direção de Gessyca é um processo continuo, pois a cada espaço que vamos precisamos entender como se comunicar com esse espaço. Muitas cenas que temos hoje, quase um ano depois, tem surgido nos espaços em que vamos apresentando.

O olhar do público tem sido de grande importância. Muitas cenas vão sendo afetadas pelas respostas do público e vamos sendo alimentados por esses encontros.


Festal: Todo processo criativo é também um processo seletivo de ideias, materiais, escolhas. No caso desse espetáculo, como se deu, ou tem se dado, esse processo de “edição”? Se possível, cite exemplos específicos.

Volante: Nós tínhamos os dados do Mapa da Violência. Tínhamos uma referência regional como o canto das incelenças, tão comum no nosso imaginário ou mesmo em alguns de nós vindos do interior que costumávamos a acompanhar esses cantos nos velórios. Tínhamos histórias como as de dona Maria José, mãe de Davi da Silva. Tínhamos experiências particulares de percas e experiências estéticas diversas que iam do coco de roda, cinema, mimese a palhaçaria. Não queríamos deixar nada de fora. Queríamos que cada atriz e ator soubesse de sua importância para essa construção.

O primeiro entendimento se deu quando entendemos já depois de alguns meses que não iriamos chegar ao texto proposto inicialmente em dezembro de 2016. A partir daquele dia “zeramos o jogo” na busca desse texto que queria ser dito por todes.

Decidir pela direção de Gessyca Geyza foi um momento muito importante. Gessyca com seu olhar e sensibilidade conseguia tecer uma encenação que ia criando essas edições e fortalecendo a dramaturgia. O olhar de Gessyca ao assistir aquilo que se construía foi capaz de organizar esse mundo de informações que trazíamos.

Entendemos que não queríamos ir para a rua. Que a história que nascia pedia para ser feita em lugares abandonados ou com uma estrutura precária. O espaço foi um divisor de águas. Entrar no Porão nos fez construir as cenas que a peça pedia. Gessyca Geyza propunha jogos, imagens e ações que nos faziam descobrir naquele espaço a nossa dramaturgia.

Outro momento de entendimento foi quanto a dramaturgia da luz, do som e do figurino. Pensamos muitas vezes em convidar pessoas que pudessem nos ajudar, não que isso não seja importante, mas no decorrer do processo entendemos que tudo isso deveria também vir de cada pessoa que ali estava.


Festal: O grupo reconhece algum sentido de continuidade e conexão entre esse processo criativo e os anteriores ou nesse caso específico se trata de uma tentativa de se desviar da maneira como o grupo tem criado? Que aspectos se apresentam como novidade no processo criativo desse espetáculo em relação aos que o antecederam.

Volante: Acreditamos que no fim das contas tudo é uma continuidade, um aperfeiçoamento e que cada novo passo dado só é possível por sementes que foram plantadas lá atrás.

Nesse nosso segundo espetáculo existem rompimentos, mas também existem coisas que vão se continuando.

No primeiro espetáculo, “Volante”, partimos para uma estética armorial ou barroca, é uma tentativa de diálogo que percorre um universo lúdico, construído através de memórias e experiências estéticas trazidas ao longo da vida. “Volante” surge pela necessidade de contar, de encontrar pessoas e de circular por diversos espaços. Diferente de “Incelença” usa de símbolos e metáforas para sublinhar momentos da vida do ator/dramaturgo. Faz uso de maquiagem, por exemplo, coisa que em “Incelença” entendemos que não caberia.

Em “Incelença” a experiência de construção coletiva rompe muito desses lugares. Agora tudo é dito de forma direta, os símbolos são fundidos pela própria ação. Experiências estéticas diversas se encontram. É impossível sair do mesmo jeito quando o encontro acontece. Deixamo-nos afetar pelo que o outro tem a dizer e a mostrar. Ouvimos. Propomos. Trocamos.

Das duas experiências podemos dizer que permanecem a busca por espaços alternativos, a busca por conceber e confeccionar dramaturgias, o retorno a memória como lugar de criação e fortalecimento do presente, o processo colaborativo, a necessidade da atriz e do ator colaborador/construtor e um teatro popular.

Festal: E para encerrar, uma pergunta sobre o Festal. Como você ou seu grupo percebe(m) o papel de movimento das artes cênicas para o cenário da produção cultural local?

Volante: As Artes Cênicas, a arte no geral, está para fortalecer a nossa existência no espaço em que vivemos. Vivemos em uma cidade que nos afeta diariamente, seja da maneira positiva ou negativa. Responder a cidade, pertencer a ela e questioná-la é um dos papeis da arte, principalmente em tempos de precarização da arte, da falta de políticas públicas eficazes e continuas, da falta de espaço (ou melhor, do não uso de muitos espaços que vivem fechados na cidade).

As Artes Cênicas colaboram com a nossa vida nesse lugar. Nos faz pensar quem somos dentro dele e o que podemos fazer para torna-lo melhor.